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Keblinger

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Conhecer e celebrar a Eucaristia #23

| 27 março 2017
Reviver a Páscoa no ano litúrgico
O domingo e o Corpo de Deus


Ao tratarmos dos Congressos Eucarísticos, vimo que o encontro entre cristãos, mesmo em manifestações públicas, tem valor se alimentar o sentimento da oração e da adoração, que justifica o culto da própria Eucarístia como memorial do sacrifício de Cristo.
Celebrar a Eucaristia é, de facto, semelhante a reviver a Páscoa do Senhor, já que, de uma maneira ou de outra, os grandes momentos do ano litúrgico dedicados à Eucaristia têm directamente que ver com a celebração da Páscoa.

Igreja Episcopal de Sta Maria - St Francisville, LA

«No século XX, sobretudo depois do Concílio, 
a comunidade cristã cresceu muito no modo 
de celebrar os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia. 
É preciso prosseguir nesta direcção, 
dando particular revelo à Eucaristia dominical e ao próprio domingo, 
considerando um dia especial de festa, 
dia do Senhor ressuscitado e do dom do Espírito, 
verdadeira Páscoa da semana.»
João Paulo II

- O domingo

Em primeiro lugar, importa sublinhar que o domingo também se chama "Páscoa Semanal", na medida em que o seu destino está estreitamente ligado à ressurreição de Jesus. Segundo uma tradição ininterrupta, que teve origem na noite de Páscoa, os cristãos devem reunir-se em assembleia. De facto, como nos ensina o Concílio Vaticano II, ao ouvir a Palavra de Deus e ao participar na Eucaristia, os fiéis fazem memória da paixão, da ressurreição e da glória do Senhor Jesus, dando graças a Deus por os ter regenerado numa esperança viva através da ressurreição de Jesus Cristo dos mortos.
São então três os elementos que constituem esse evento de fé:
  • A Eucaristia ou acção de graças, segundo o esquema da Última Ceia e a ordem de Jesus: «Fazei isto em memória de Mim», que reúne os fiéis num só corpo e numa só alma;
  • O domingo, dia da ressurreição de Cristo e dia da Igreja enquanto povo regenerado ou ressuscitado mediante o baptismo;
  • A Igreja, enquanto sujeito que age em união com o seu Senhor e mediante a presidência do sacerdote.

Como afirma o liturgista Rinaldo Falsini: «Assim se faz memória do Senhor Jesus como Ele mandou; é assim que os fiéis se tornam participantes do seu mistério humano e divino, à espera da sua vinda gloriosa e do banquete celeste; é assim que a Igreja se constrói como Corpo de Cristo.»

«Que nessa Quinta-feira [do Corpo de Deus] 
as multidões de fiéis acorram à Igreja com amor e devoção, 
e que o clero e o povo, em ambiente de festa comunitária, 
entoem cânticos de louvor, ergam o coração e, dos lábios, 
façam ressoar hinos de alegria salutar; 
que a fé exulte e a esperança rejubile, 
que a devoção renda louvores, que a pureza seja jubilosa 
e a sinceridade cheia de exultação.» 
Bula de Urbano VI
Transiturus de hoc mundo


- A festa do Corpus Domini

Outra ocasião para viver o mistério pascal da Eucaristia durante o ano litúrgico é a festa do Corpus Domini, quer dizer, do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus. Esta festa surgiu no ano de 1264 por iniciativa do Papa Urbano VI. Na bula Transiturus de hoc mundo, o Sumo Pontífice pede à Igreja que na Quanta-feira a seguir à oitava do Pentecostes, se institua uma memória eucarística anual especialmente solene com o objectivo d confundir os hereges e fazer reparação pelo relaxamento que por vezes assediava o culto da Eucaristia.
Depois da morte do Papa, e passado algum tempo de mais fraco entusiasmo, esta festa teve novo apoio na pessoa do Papa Clemente V no século XIV, e sobretudo depois do Concílio de Trento.
De facto, o desejo de reafirmar as convicções sobre a Eucaristia, que tinham exactamente enfrentado as posições dos reformadores, teve como consequência a valorização dos ritos e manifestações eucarísticas que tinham florescido em alguns países a partir da festa do Corpus Domini.
Essa solenidade era e foi de facto celebrada através de procissões eucarísticas solenes, de que aliás já falámos. A festa do Corpus Domini deu, além disso, grande incentivo à formação de confrarias do Santíssimo Sacramento, que são associações de leigos constituídas ao longo do século XIV em diversas regiões e que se tornaram muitas vezes expressão eucarística realmente sentida na vida paroquial.
Hoje em dia, em alguns países, a festa do Corpus Domini celebra-se ao domingo (sendo que em Portugal até é feriado nacional).



Por Paolo Sartor
in 'ABC para conhecer e celebrar a Eucaristia'
Edições Paulus



O Cristão: um «iluminado»

| 23 março 2017
Desde os tempos mais antigos, a narrativa sobre o cego de nascença é proposta durante a Quaresma.
Todos os catecúmenos, na história do cego de nascença, podem identificar a própria história: antes do encontro com Cristo, era um cego e o Mestre restitui-lhe a vista.
O evangelista João, como costuma fazer, toma por ponto de partida um episódio da vida de Jesus, para desenvolver um tema básico da mensagem cristã. No próximo domingo será tratado o tema da morte e da vida; neste domingo é apresentado o da luz e das trevas.
Há muitas coisas que nós vemos e outras que nos escapam. Os homens dos nossos dias têm como verdade aquilo que pode ser controlado pelos olhos, constatado pelos sentidos e verificado por instrumentos científicos. Estão convencidos de conhecer tudo, estão certos de que nada escapa ao seu controle. Mas o que vêem estes indivíduos? Nada mais do que as realidades materiais. Mas existem realmente só essas realidades? E se os que não conseguem ver nada além da matéria fossem cegos e precisassem de ser iluminados por Cristo?
O Evangelho deste dia ensina-nos que Jesus foi enviado para nos dar uma água que cura esta cegueira. Para entender este trecho, temos que dividi-lo em sete partes, como se fossem sete cenas de um drama.


vv. 1-5

A primeira cena abre com um diálogo entre Jesus e os discípulos. Tem como objectivo introduzir-nos na leitura do significado simbólico da cura operada por Jesus: é Ele que arranca os homens das trevas em que estão submersos (vv.4-5).
Antes de narrar o episódio, João põe nos lábios dos discípulos uma pergunta que é talvez também nossa: «Porque é que este homem nasceu cego?». Alguém deve ter pecado: ou ele ou os pais dele (v.2).
Acreditava-se naquele tempo que Deus recompensava os bons e castigava os maus ainda neste mundo, na proporção directa das boas acções e dos pecados cometidos. Todas as desgraças, as doenças, os sofrimentos, eram considerados como consequência de algum pecado. E se houvesse alguém a sofrer excepcionalmente desde o nascimento? Era então sinal de que Deus o castigava por culpa dos seus antepassados. Chegava-se a pensar que seria possível pecar, talvez proferindo alguma imprecação contra Deus, quando a criança ainda estava no ventre materno...
Estamos diante de explicações teológicas que nos deixam estarrecidos, mas era assim que se pensava naquele tempo.
Jesus responde que não se deve nunca falar de castigos do Senhor (v.3). Esta é uma forma pagã de imaginar Deus.
Deus não castiga ninguém, ama somente, e ama sobretudo os que erram. Diante do mal não faz sentido investigar de quem é a culpa; a única coisa a fazer é esforçar-se para eliminá-la, como Jesus fez.
Não é cristão pensar que Deus castiga as pessoas que pecam, que lhes envia doenças e desgraças, que não faz chover ou envia granizo e gafanhotos sobre as culturas. É muito deprimente constatar que, ainda nos nossos dias, em algumas comunidades cristãs, há pessoas que fazem esta ideia de Deus!

vv. 6-7

Nesta segunda parte narra-se, em poucas palavras, a cura feita por Jesus. O método empregado por Ele é para nós bastante esquisito, mas naquele tempo pensava-se que na saliva estivesse concentrado o hálito, o espírito, a força de uma pessoa. O Evangelho dá-nos conta de outros momentos em que Jesus faz este gesto (Mc 7, 33; 8,23).
O cego não recupera imediatamente a vista, deve antes ir lavar-se nas águas de Siloé e o evangelista observa que esta palavra quer dizer «enviado». O simbolismo do episódio é evidente: o enviado do Pai é Jesus, é a sua água (a prometida à samaritana) que cura a cegueira do homem.

vv. 8-12

Começam os interrogatórios ao cego. Observe-se que o homem que foi iluminado por Jesus agora já não é reconhecido. Os vizinhos, que tinham vivido com ele muitos anos, perguntam-se: «mas é ou não é ele?».
O catecúmeno deveria perguntar-se: desde que fui iluminado por Cristo, tornei-me também irreconhecível? Antes eu era violento, ofendia a minha mulher, era estúpido com os filhos, roubava, não me esforçava no meu trabalho... Mas, desde que respondi ao apelo do Evangelho, o povo pergunta como é que eu pude mudar tanto, como é possível comportar-me de maneira tão diferente, como fiquei tão bom e generoso, como ajudo a todos, como sou gentil e delicado para com os meus familiares.
Se ainda não ouvimos dizer à nossa esposa, aos colegas de trabalho, aos vizinhos: «Mas ele nem parece o mesmo...!», é mau sinal!

vv. 13-17

É o segundo interrogatório feito ao cego pelas autoridades, preocupadas em verificar o que acontecera. Já decidiram condenar Jesus, porque Ele não corresponde ao figurino do homem religioso que têm em mente.
Não acontece também connosco julgarmos as pessoas com esse mesmo critério? Nós classificamo-las como boas ou más, como amigas ou inimigas: mas, baseados em quê? Na base do que nós achamos que é bom ou mau. Mas estamos certos de que o modo de pensar de Deus corresponde ao nosso? E se, sem nos termos dado conta, fôssemos cegos (convencidos que vemos bem e, portanto, com o direito de julgar os outros) como os judeus do Evangelho de hoje?

vv. 18-23

O terceiro interrogatório é feito aos pais do cego pelas autoridades. Elas detêm o poder e não podem  tolerar que alguém questione as suas convicções e o seu prestígio. Quem tem a coragem de os contrariar vai sendo isolado ou eliminado. Até os próprios pais têm medo de tomar posição em favor do filho.
Nunca nos aconteceu ter medo de nos posicionarmos do lado da verdade? Qual é o nosso comportamento, por exemplo, diante de casos de pessoas caluniadas ou condenadas injustamente? Temos medo de perder a amizade de quem detém o poder, seja ele qual for?

vv. 23-34

O último interrogatório ao cego é feito pelas autoridades religiosas. Nas suas respostas, nas suas atitudes, podem-se descobrir as características que distinguem a pessoa «iluminada por Cristo». Experimentem os leitores anotar num papel estas características. Comparem-nas em seguida com a lista que agora proponho.
1. A pessoa «iluminada», antes de mais, é livre: não vende as suas convicções a ninguém, diz o que pensa. O cego permite-se ironizar, faz troça até, da suprema autoridade religiosa.
2. Além disso, é corajosa: não se deixa intimidar por aqueles que, abusando do seu poder, insultam, ameaçam, recorrem à violência.
3. É sincera: não renuncia à verdade, nem quando esta incomoda ou desagrada a quem está por cima e que está acostumado a receber somente aprovação e aplausos dos aduladores; a quem não tolera que se levantem objecções às suas ordens ou sejam criticadas as suas decisões ou as suas atitudes.
4. Mantém-se numa permanente posição de procura: tem a certeza de ter entrevisto alguma coisa, de ter descoberto uma parte da verdade, mas está consciente de que muitas outras coisas lhe passam despercebidas.
As autoridades, pelo contrário, estão certas de que para elas a situação é bem clara. Julgam conhecer tudo. «Nós sabemos que este homem não procede de Deus» (v. 16), «nós sabemos que é um pecador» (v. 24), «nós sabemos que Deus falou a Moisés» (v. 29).
Aquele que fora cego reconhece os próprios limites: «De onde vem este homem, eu não sei» (v. 12); «se é um pecador, não sei» (v. 25). Quando Jesus lhe pergunta se acredita no Filho do Homem, ele responderá: «Quem é?», reconhecendo, uma vez mais, a sua ignorância (v. 36).
5. Por fim, aceita até suportar a violência: prefere antes ser expulso da instituição do que renunciar à luz recebida, do que contrariar a consciência (v. 34).
Haveria outras características da pessoa «iluminada», mas estas são as principais e constituem para nós um motivo para meditação, a fim de avaliarmos até que ponto a luz de Cristo realmente penetrou na nossa vida.

vv. 35-41

A figura de Jesus apareceu no começo da narrativa; e reaparece somente agora, no fim. Não interveio antes, deixou que o cego se arranjasse sozinho no meio das dificuldades e dos conflitos. A pessoa «iluminada» não precisa da presença física do Mestre. A força que lhe advém da «luz» que recebeu é suficiente para a manter firme na fé e para a orientar na escolhas certas e coerentes.
Por fim, Jesus intervém e dita a sua sentença, a única que vale quando se trata de decidir sobre o êxito ou o fracasso da vida do homem. Afirma: no começo havia um homem cego e muitos que viam. Agora a situação inverteu-se: os que estavam certos que viam, na verdade eram cegos incuráveis; ao contrário, quem estava consciente da própria cegueira agora vê.
Observe-se como é designado Jesus durante a narrativa: para as autoridades, para os «que vêem», ele é «o tal», «aquele homem» (v. 11); depois é «um profeta» (v. 17); em seguida, é «um homem de Deus» (v.32-33); por fim, é o «Senhor» (v. 38).
«Este último é o mais importante; é aquele com o qual os catecúmenos proclamavam a própria fé na hora do Baptismo. Antes de entrar na água, durante a solene cerimónia da noite da Páscoa, diziam, diante de toda a comunidade: «Creio que Jesus é o Senhor». A partir desse momento, eram chamados «iluminados».


- Reflectindo Jo 9, 1-41 -
Fernando Armellini
in "O Banquete da Palavra - Ano A", Edições Paulinas




Jesus e o cego de nascença (trabalho de reflexão)

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por Philippe Gruson
in "Ler e rezar a Bíblia (volume 2)"
Edição Paulinas




Jesus e o cego de nascença (slides)

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Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os seus discípulos perguntaram-lhe, então: «Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?» Jesus respondeu: «Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. Temos de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode actuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.»


Dito isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe: «Vai, lava-te na piscina de Siloé» - que quer dizer Enviado. Ele foi, lavou-se e regressou a ver. Então, os vizinhos e os que costumavam vê-lo antes a mendigar perguntavam: «Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola?» Uns diziam: «É ele mesmo!» Outros afirmavam: «De modo nenhum. É outro parecido com ele.» Ele, porém, respondia: «Sou eu mesmo!»




Então, perguntaram-lhe: «Como foi que os teus olhos se abriram?» Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai à piscina de Siloé e lava-te.’ Então eu fui, lavei-me e comecei a ver!» Perguntaram-lhe: «Onde está Ele?» Respondeu: «Não sei.»
Levaram aos fariseus o que fora cego. O dia em que Jesus tinha feito lama e lhe abrira os olhos era sábado. Os fariseus perguntaram-lhe, de novo, como tinha começado a ver. Ele respondeu-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e fiquei a ver.» Diziam então alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.» Outros, porém, replicavam: «Como pode um homem pecador realizar semelhantes sinais miraculosos?» Havia, pois, divisão entre eles. Perguntaram, então, novamente ao cego: «E tu que dizes dele, por te ter aberto os olhos?» Ele respondeu: «É um profeta!»



Ora os judeus não acreditaram que aquele homem tivesse sido cego e agora visse, até que chamaram os pais dele. E perguntaram-lhes: «É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?» Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que agora vê, nem quem foi que o pôs a ver. Perguntai-lhe a ele. Já tem idade para falar de si.»
Os pais responderam assim por terem receio dos judeus, pois estes já tinham combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Messias. Por isso é que os pais disseram: ‘Já tem idade, perguntai-lhe a ele’.


Chamaram, então, novamente o que fora cego, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus! Quanto a nós, o que sabemos é que esse homem é um pecador!» Ele, porém, respondeu: «Se é um pecador, não sei. Só sei uma coisa: que eu era cego e agora vejo.» Eles insistiram: «O que é que Ele te fez? Como é que te pôs a ver?» Respondeu-lhes: «Eu já vo-lo disse, e não me destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo outra vez? Será que também quereis fazer-vos seus discípulos?» Então, injuriaram-no dizendo-lhe: «Discípulo dele és tu! Nós somos discípulos de Moisés! Sabemos que Deus falou a Moisés; mas, quanto a esse, não sabemos donde é!»
Replicou-lhes o homem: «Ora isso é que é de espantar: que vós não saibais donde Ele é, e me tenha dado a vista! Sabemos que Deus não atende os pecadores, mas se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha dado a vista a um cego de nascença. Se este não viesse de Deus, não teria podido fazer nada.» Responderam-lhe: «Tu nasceste coberto de pecados e dás-nos lições?» E puseram-no fora.


Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe: «Tu crês no Filho do Homem?» Ele respondeu: «E quem é, Senhor, para eu crer nele?» Disse-lhe Jesus: «Já o viste. É aquele que está a falar contigo.» Então, exclamou: «Eu creio, Senhor!» E prostrou-se diante dele.
Jesus declarou: «Eu vim a este mundo para proceder a um juízo: de modo que os que não vêem vejam, e os que vêem fiquem cegos.»


Alguns fariseus que estavam com Ele ouviram isto e perguntaram-lhe: «Porventura nós também somos cegos?» Jesus respondeu-lhes: «Se fôsseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece.»



cf. Jo 9,1-41



Admonições Litúrgicas - 4º Domingo da Quaresma (Ano A)

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Admonição presidencial

Cada domingo que celebramos e vivemos, faz-nos aproximar, cada vez mais da Páscoa deste ano. Alegremo-nos, porque a luz de Cristo nos guia. Desde o dia do nosso Baptismo, procuramos destruir qualquer escuridão que nos impeça de contemplar, com os olhos de Deus, tudo o que nos rodeia. O caminho da Quaresma convida a fazer o mesmo com mais intensidade. Mas, na nossa vida, nem sempre deixamos que Deus nos transforme, nem sempre deixamos que a luz de Cristo nos ilumine. Em silêncio, reconheçamos que precisamos de nos converter.


Cuidados na proclamação da Palavra
1ª leitura: O leitor deverá preocupar-se em distinguir:
1. A missão de Samuel: “Toma..., parte... Eu te envio...”;
2. O quadro da eleição:
— com desapontamento das testemunhas: “O Senhor não escolheu nenhum destes”;
— a interpelação: “Estão aqui todos os teus filhos?” – “Falta ainda o mais novo” ;
— e a escolha surpreendente do Senhor: “Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo!”;
3. A conclusão: “Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-se de David”.
2ª leitura: O texto de Paulo ganhará maior qualidade na compreensão se for lido com força e convicção. Um tempo de silêncio, no final da sua proclamação, dará a cada um tempo de possibilitar ressonância antes de passar adiante.

Introdução à liturgia da Palavra

Neste quarto Domingo da Quaresma, Deus quer reinaugurar em nós o modo como vemos a vida. Quer dar-nos um novo olhar, quer curar a nossa forma de encarar e ver a realidade! Nesta perspectiva, vamos acolher com particular atenção a Palavra que agora é proclamada.



 

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