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Keblinger

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Jesus aparece aos Apóstolos e a Tomé (slides)

| 21 abril 2017


«Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»
Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.»

Jo 20, 19-31



Jesus aparece aos Apóstolos e a Tomé (trabalho de reflexão)

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por Philippe Gruson
in "Ler e rezar a Bíblia (volume 2)"
Edição Paulinas





Admonições Litúrgicas - 2º Domingo de Páscoa (Ano A)

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Admonição presidencial

No dia de Páscoa, os discípulos viveram a alegria da presença de Jesus entre eles que, novamente, Lhes dava paz e o Espírito Santo e os enviava a anunciar a Boa Nova. Uma semana depois, Jesus aparece, novamente, no meio deles, estando Tomé presente. A partir destes dois domingos, os mais felizes da história, os cristãos reúnem-se todas as semanas e Jesus torna-se presente no meio de nós, através da Sua Palavra e com o Seu Corpo e o Seu Sangue. Vamos, hoje, celebrar com Jesus a alegria da ressurreição. Que Ele nos faça, também, testemunhas do Seu amor por nós. Iniciamos esta nossa celebração, renovando, pela aspersão da água, o baptismo que nos fez filhos de Deus. (rito da aspersão da água).

Cuidados na proclamação da Palavra
1ª leitura:  O leitor deverá preocupar-se em assumir uma tonalidade de satisfação e solenidade para que o hoje deste ambiente do texto se afirme.
2ª leitura: Em ano da “fé contemplada”, a leitura calma e pausada deste texto muito pode ajudar a saborear e contemplar a obra salvadora de Deus em nosso favor
Introdução à liturgia da Palavra

Somos felizes porque podemos proclamar, escutar, acolher e contemplar a Voz de Deus que nos fala na Sua Palavra. A Palavra é Páscoa do Senhor; ela é sempre viva e eficaz. Com alegria e com a Paz da Páscoa do Senhor, abramos o coração e a mente à Palavra.


«Bem-aventurados os que não viram»

| 20 abril 2017

O trecho de hoje está claramente dividido em duas partes que correspondem às aparições do Ressuscitado. Na primeira (vv. 19,23), Jesus comunica aos apóstolos o seu Espírito e com Ele infunde-lhes o poder de vencer as forças do mal. Na segunda (vv. 24-31), é narrado o famoso episódio de Tomé.
Vamos tentar comparar estas duas aparições e tomemos nota, num papel, de todos os detalhes que elas têm em comum. Em seguida continuemos a ler este comentário.
Todos, com certeza, devem ter observado que as duas aparições acontecem no «domingo»; que os que vivem a experiência do Ressuscitado são os mesmos (mais um, menos um...); que o Senhor Se apresenta com as mesmas palavras: «A paz esteja convosco»; que em ambos os encontros Ele mostra os sinais da sua Paixão...
Pode haver outros pormenores, mas estes quatro são suficientes para nos mostrar a mensagem que o evangelista nos quer passar.
Os discípulos estão, pois, reunidos em casa. A que encontro se refere João? Muitos já devem ter deduzido: à assembleia semanal da comunidade cristã. É esta a hora em que Jesus Se manifesta vivo aos discípulos. Quem não se encontra com a comunidade reunida, não encontra o Ressuscitado (vv. 24-25), não pode ouvir a sua saudação e a sua Palavra, não pode receber a sua paz (vv. 19.26), não prova da sua alegria (v. 20), não recebe o seu Espírito (v. 22).
Também para nós hoje se torna possível passar pela experiência que os apóstolos tiveram no dia de Páscoa e oito dias depois. De que forma? Participando na assembleia comunitária.
É aí que Jesus marca o encontro semanal com todos os seus discípulos.

Vamos agora ao episódio de Tomé.
Coitado do Tomé! Que mal fez ele? Afinal, não pretendia muito: Pedia para também ver o que os outros tinham visto. Porventura não tinham eles também acreditado só depois que o Senhor se lhes manifestara?
O objectivo de João não é o de criticar o comportamento de Tomé, mas dar uma resposta às perguntas e às objecções dos cristãos do seu tempo (por volta dos anos 90 d.C.).
Tomé foi escolhido como símbolo das dificuldades que todo o discípulo encontra e encontrará sempre para acreditar na ressurreição de Jesus. Os próprios apóstolos não aderiram nem rápida nem facilmente à fé no Ressuscitado; basta pensar que, na última página do seu Evangelho, Mateus conta que, quando Jesus lhes apareceu na montanha da Galileia (portanto muito tempo depois das aparições de Jerusalém), «alguns ainda duvidavam» (28, 17). Para eles também, portanto, a fé foi uma conquista difícil, embora o Ressuscitado lhes tivesse dado muitos sinais de que estava vivo e tinha entrado na glória do Pai.
João quer responder aos problemas dos cristãos das suas comunidades que pretendem ver para crer. Ele responde às suas perplexidades, narrando o episódio de Tomé e explica que o Ressuscitado tem uma vida que escapa aos nossos sentidos, uma vida que não pode ser tocada com as mãos ou vista com os olhos. Só pode ser objecto da fé.
Não se pode ter fé naquilo que foi visto. Não se podem fornecer provas científicas da Ressurreição. Se alguém quer ver, constatar, tocar, deve renunciar à fé.
Nós dizemos: «Bem-aventurados os que viram». Para Jesus, ao contrário, bem-aventurados são aqueles que não viram. Mas, então, porquê? Talvez porque para eles custa mais acreditar e portanto têm maiores merecimentos. Mas não é assim. São bem-aventurados porque a fé deles é mais genuína, mais pura, é mesmo a única fé pura.
Quem vê tem a certeza da evidência, possui a prova inegável de um facto, não a prova da fé.
O caminho que todos os discípulos são chamados a percorrer é descrito por João no final do trecho de hoje: «Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome» (vv. 30.31).
Eis a única prova apresentada a quem procura razões para acreditar: o próprio Evangelho. Aí ressoa a Palavra de Cristo, aí refulge a sua pessoa.
Perante a proposta que nos vem do Evangelho, cada um é chamado a dar a sua adesão. Pode também recusá-la. Não há outras provas para além desta Palavra.
Para entender isto, é bom relembrar tudo o que Jesus diz na parábola do Bom Pastor: «As minhas ovelhas reconhecem a minha voz» (Jo 10, 4-5.27). Não acontecem aparições! No Evangelho ouve-se a voz do Pastor e, para as ovelhas que Lhe pertencem, o som da sua voz é suficiente para O reconhecer e seguir atrás d'Ele.
A profissão de fé que João põe nos lábios de Tomé é colocada e acontece no momento histórico em que foi proferida. Essa é a época em que em Roma reinava o imperador Domiciano, um megalómano que inundou o império com a s suas estátuas, que mandou erguer templos em sua homenagem em todos os lugares, para ser adorado como um deus; que decretou que todas as leis emanadas em seu nome começassem com estas palavras: «Domiciano, nosso senhor e nosso deus, ordena que...».
Os cristãos, a quem João envia este Evangelho, correm o risco da apostasia, sentem-se tentados a ceder às lisonjas do culto ao imperador, são induzidos a tributar reverência ao tirano da época. Eles, porém, devem estar conscientes de que os títulos «Nosso Senhor e Nosso Deus» estão reservados somente ao Ressuscitado.
Esta profissão de fé é muito actual: deve ser repetida frequentemente e em muitas circunstâncias pelos cristãos dos nossos dias. São muitos os poderosos e senhores do mundo que estão dispostos a conceder vantagens e privilégios aos que se prostram diante deles e lhes tributam honras divinas. Por medo ou por oportunismo, muitos cedem. O cristão não o pode fazer: já tem o seu Senhor e o seu Deus.


- Reflectindo Jo 20, 19-31 -
Fernando Armellini
in "O Banquete da Palavra - Ano A", Edições Paulinas



Tema do 2º Domingo da Páscoa (Ano A)

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A liturgia deste domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.
Na primeira leitura temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.
No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.


EVANGELHO – Jo 20,19-31

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

AMBIENTE

Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos é apresentada a comunidade da Nova Aliança. A indicação de que estamos no “primeiro dia da semana” faz, outra vez, referência ao tempo novo, a esse tempo que se segue à morte/ressurreição de Jesus, ao tempo da nova criação.
A comunidade criada a partir da acção de Jesus está reunida no cenáculo, em Jerusalém. Está desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do facto de não terem ainda feito a experiência de Cristo ressuscitado.

MENSAGEM

O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.
Na primeira parte (vers. 19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e de fragilidade em que a comunidade estava (o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”), o autor deste texto apresenta Jesus “no centro” da comunidade (vers. 19b). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência, factor de unidade, videira à volta da qual se enxertam os ramos. A comunidade está reunida à volta d’Ele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.
A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vers. 19 e 21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, vida plena). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava (a morte, a opressão, a hostilidade do mundo); e que, doravante, os discípulos não têm qualquer razão para ter medo.
Depois (vers. 20a), Jesus revela a sua “identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e de doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.
Em seguida (vers. 22), Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos à sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus). Com o “sopro” de Gn 2,7, o homem tornou-se um ser vivente; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem – como Jesus – dar-se generosamente aos outros. É este Espírito que constitui e anima a comunidade de Jesus.
Na segunda parte (vers. 24-29), apresenta-se uma catequese sobre a fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado?
João responde: podemos fazer a experiência da fé em Cristo vivo e ressuscitado na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade, nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Porquê? Porque no “dia do Senhor” volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao Domingo, ao dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.
A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.





Regina Caeli (Rainha do Céu)

| 16 abril 2017

Regina Cæli (em português "Rainha do Céu") é um hino mariano (antífona) entoado pelos católicos às 6h00, 12h00 e às 18h00, durante o Tempo Pascal. Ela substitui a oração do Angelus, feita nos outros dias.

Em latim:
V.: Regina coeli, laetare, Alleluia:
R.: Quia quem meruisti portare, Alleluia:
V.: Resurrexit, sicut dixit, Alleluia:
R.: Ora pro nobis Deum, Alleluia.

Em português:
V.: Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia!
R.: Porque quem merecestes trazer em vosso seio. Aleluia!
V.: Ressuscitou como disse! Aleluia!
R.: Rogai a Deus por nós! Aleluia!
V.: Exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria! Aleluia!
R.: Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia.

Conclui-se com a seguinte oração:
V.: Oremos:
Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo, Senhor Nosso.
R.: Amém!
V.: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R.: Como era no princípio, agora e sempre, Amém. (três vezes)




A Vitória da Vida

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Mateus conta-nos de maneira diferente a visita das mulheres ao sepulcro. Elas assistem a um terrível espectáculo: dá-se um grande terramoto, um anjo do céu aproxima-se, faz rolar a pedra e senta-se sobre ela; o seu aspecto é como de um relâmpago e as suas vestes são brancas como a neve. Todos estão apavorados e os guardas ficam como mortos (vv. 2-4).
É provável que, nesta altura, nos perguntemos: O que viram as mulheres? Os demais evangelistas (somente lemos e comentámos a narração de João) narram-nos os factos de maneira diferente.
A narração de Mateus não deve ser entendida como crónica.
Para apresentar a intervenção de Deus, este evangelista serve-se da linguagem que tem à disposição, que é bíblica. Quando a Escritura nos quer dizer que Deus intervém a favor do homem, utiliza sempre estas imagens: o terramoto (Sl 18, 8-16); o anjo do Senhor (Jz 6, 11); a cor branca (Dn 7,9); o relâmpago (Dn 10,6); o medo (Jz 13, 22s). Já encontrámos tudo isso na narração da Transfiguração, estais lembrados? E voltaremos a encontrar. Não se trata de informações, mas de imagens que naquele tempo eram usadas para transmitir uma mensagem religiosa. Qual? Vejamos.
Ao comentarmos o Evangelho do domingo passado, observámos que a presença dos guardas no sepulcro era sinal da derrota do justo. O defensor da vida fora vencido e eles vigiavam a sua morte. Eram o símbolo da força do mal que pretendia perpetuar uma situação de opressão e injustiça.
Diante deste super poder do mal, o homem sente-se impotente e desesperado. Mas eis que, quando o homem menos espera Deus intervém com toda a sua força e derrota as forças da morte.
A narração de Mateus tem como única finalidade mostrar-nos que Deus subverte as situações de morte provocadas pela maldade dos homens. A mensagem do céu, dirigida às mulheres, é na verdade, dirigida aos homens do mundo inteiro e de todos os tempos: o Justo não pode permanecer em poder da morte, o seu sepulcro está vazio, Ele entrou para a glória do Pai.
Para nós esta mensagem é um convite a acreditarmos que as forças da morte (a injustiça, a opressão, a calúnia, o ódio, a mentira, a esperteza...) não prevalecerão jamais sobre a vida, embora aparentemente possam levar vantagem.
Perto do sepulcro vazio encontramos dois tipos de pessoas: as mulheres e os guardas. As primeiras abandonam depressa o lugar da morte e vão a correr anunciar aos irmãos que Cristo está vivo. Elas representam todos os que acreditam na vitória da vida e testemunham aos seus irmãos esta fé.
Diante dos mesmos acontecimentos, os guardas optam por uma escolha diferente: deixam-se corromper pelo dinheiro (como já ocorrera com Judas). Simbolizam aqueles que, por apego aos bens deste mundo, preferem a mentira à verdade, a morte à vida.


- Reflectindo Mt 28, 1-10 -
Fernando Armellini
in "O Banquete da Palavra - Ano A", Edições Paulinas





Admonições Litúrgicas - Domingo de Páscoa (Ano A)

| 15 abril 2017

Admonição inicial feita por um leitor

“Por que buscais entre os mortos, Aquele que está vivo? Não está aqui. Ressuscitou!”. Na noite anterior, em todo o mundo, foi proclamada esta grande notícia. Foi aceso o Círio Pascal e entoado o canto do Aleluia. Hoje, estamos aqui reunidos para celebrar a ressurreição do Senhor e para recordar que fomos incorporados nessa vida nova de Cristo Ressuscitado. Celebremos, pois, com grande alegria e entusiasmo a grande festa da Páscoa. 

Cuidados na proclamação da Palavra

A primeira leitura comporta o testemunho dos discípulos acerca da vida de Cristo, pela voz de Pedro. Deve pautar-se por uma entoação firme, decidida, mas pausada, pois faz uma descrição dos acontecimentos. Realçar as expressões que envolvem “testemunho”, destacar as frases: “Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez” e “quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados”.
Para a segunda leitura, ter em atenção a possibilidade de escolha. Em ambas as hipóteses tomar um tom exortativo e alegre. Há Sequência Pascal: faça-se! E de preferência por outro leitor. Ter em conta a preparação do Evangelho pois também há a possibilidade de escolha.

Introdução à liturgia da Palavra

Hoje, rejubilamos em Jesus, o Filho de Maria: é alegria da Sua vitória sobre o pecado, sobre a morte.
Esta passagem da morte para a Vida eterna, alimenta a nossa Fé e, como João e Pedro, queremos correr para contemplar o túmulo vazio, mas cheio de esperança.
Iniciamos este tempo litúrgico com Maria, como modelo de contemplação na oração, alimentada na escuta Palavra do Pai, pois a Deus nada é impossível…



 

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