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Keblinger

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Catálogo de ideias

| 29 Setembro 2011

História da Igreja Católica #06

| 28 Setembro 2011
6. Deus existe
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Começar com o pé direito

| 27 Setembro 2011
Catequista a expor nova tarefa
No passado dia 24 de Setembro, a Catequese de Rendufinho iniciou, oficialmente, mais um ano catequético. 
A tarde foi toda ela dedicada à reabertura de mais uma etapa cheia de desafios, de novos conhecimentos, de novas amizades e de novas experiências que a própria catequese envolve. (cf. Plano de 2011/2012)
Começamos esta aventura com um Peddy Paper, um percurso onde puderam relembrar aquilo que foram aprendendo ao longo dos anos, um percurso cheio de actividades diferentes permitindo um convívio e partilha entre todos.
Quatro grupos - Isaías, Daniel, Ezequiel e Jeremias (nomes de profetas) - seguiram o trajecto indicado pelos catequistas. 
Celebração do Compromisso
e Envio dos Catequistas
O trajecto era composto por dez postos espalhados pelos caminhos da aldeia. Em cada posto os grupos eram chamados a realizarem tarefas e com elas conquistarem pontos. A avaliação consistia nos conhecimentos adquiridos, no espírito de equipa e na criatividade como grupo. 
A tarde terminou com a Eucaristia onde celebramos a festa do compromisso e envio dos catequistas.
Perante toda a comunidade paroquial, cada catequista assumiu, por mais um ano, a responsabilidade em cooperar, com os pais dos catequizandos, na educação cristã de cada um. (cf. Tabela)
No final da celebração foram entregues os diplomas desta actividade realizada mais o prémio para o grupo vencedor, o grupo Ezequiel.

Guião da Celebração
Texto: Maria Matos
Fotos: José Lemos

As muletas

| 26 Setembro 2011
Era uma vez um país onde todos se tinham habituado a usar muletas para andar. Desde a mais tenra infância que as crianças eram treinadas no uso das muletas.
Mas, um dia, um jovem inconformista começou a pensar que se poderia caminhar sem muletas e até mais depressa. Quando expôs a sua ideia, os adultos, a começar pelos mais velhos, chamaram-lhe louco:
- Não vês que sem muletas irás cair irremediavelmente? - diziam eles.
Mas o jovem não desistiu da sua ideia. Foi consultar um ancião, que lhe parecia o mais sábio. Este também lhe disse:
- Os nossos antepassados sempre andaram com muletas. Na nossa biblioteca há imensos livros de valor que falam das imensas vantagens das muletas. Temos até um museu que guarda as muletas mais valiosas do passado. Meu jovem, deixa-te de ideias peregrinas. Caminha como nós.
O jovem mesmo assim não desistiu. Um dia, experimentou atirar para o lado com o seu par de muletas mas caiu imediatamente. Os músculos das pernas estavam atrofiados. Mas, pouco a pouco, foi adquirindo segurança e, passado algum tempo, já corria pelos caminhos e subia às montanhas.

- Quantas vezes aqueles que têm a coragem de largar as muletas não são aceites na sociedade por pensarem diferente, mais à frente?
- Quantas vezes, nós mesmos, deixamos de o fazer por medo? Medo da reacção dos mais velhos porque vamos afrontá-los. Medo do desconhecido, daquilo que virá depois...

Se nunca largarmos as muletas nunca descobriremos do que as nossas pernas são capazes.

Tabela das festas da catequese agendadas

| 25 Setembro 2011

Tema do 26º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

| 24 Setembro 2011

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer “sim” a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus – um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilónia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus… O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos.

(...)

EVANGELHO – Mt 21,28-32

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes
e aos anciãos do povo:
«Que vos parece?
Um homem tinha dois filhos.
Foi ter com o primeiro e disse-lhe:
‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’.
Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’.
Depois, porém, arrependeu-se e foi.
O homem dirigiu-se ao segundo filho
e falou-lhe do mesmo modo.
Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’.
Mas de facto não foi.
Qual dos dois fez a vontade ao pai?»
Eles responderam-Lhe: «O primeiro».
Jesus disse-lhes:
«Em verdade vos digo:
Os publicanos e as mulheres de má vida
irão diante de vós para o reino de Deus.
João Baptista veio até vós,
ensinando-vos o caminho da justiça,
e não acreditastes nele;
mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram.
E vós, que bem o vistes,
não vos arrependestes, acreditando nele».

AMBIENTE

O texto que nos é proposto neste domingo situa-nos em Jerusalém, na etapa final da caminhada terrena de Jesus. Pouco antes, Jesus entrara em Jerusalém e fora recebido em triunfo pela multidão (cf. Mt 21,1-11); no entanto, o entusiasmo inicial da cidade foi sendo substituído, aos poucos, por uma recusa categórica em acolher Jesus e o seu projecto.
Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo – os líderes religiosos judaicos – aparecem como o motor da oposição a Jesus. Eles não estão dispostos a reconhecer Jesus como o Messias de Deus e a aceitar que Ele tenha um mandato de Deus para propor aos homens uma nova realidade – a realidade do Reino. Há uma tensão no ar, que anuncia a proximidade da paixão e da morte de Jesus.
No quadro que antecede o episódio que nos é hoje proposto – mas que está em relação directa com ele – os líderes judeus encontraram-se com Jesus no Templo; perguntaram-Lhe com que autoridade Ele agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt 21,23-27). Jesus respondeu-lhes convidando-os a pronunciarem-se sobre a origem do baptismo de João. Os líderes judaicos não quiseram responder: se dissessem que João Baptista não vinha de Deus, tinham medo da reacção da multidão (que considerava João um profeta); se admitissem que o baptismo de João vinha de Deus, temiam que Jesus lhes perguntasse porque não o aceitaram… Diante do silêncio embaraçado dos seus interlocutores, Jesus deu-lhes a entender que não tinha uma resposta para lhes dar, enquanto eles continuassem de coração fechado, na recusa obstinada da novidade de Deus (anunciada por João e proposta pelo próprio Jesus).
Na sequência, Jesus vai apresentar três parábolas, destinadas a ilustrar a recusa de Israel em acolher a proposta do Reino. Com elas, Jesus convida os líderes da nação judaica a reflectir sobre a situação de “gueto” em que se instalaram e a reconhecerem o sem sentido das suas posições fixistas e conservadoras. O nosso texto é a primeira dessas três parábolas.

MENSAGEM

A parábola dos dois filhos ilustra duas atitudes diversas diante dos desafios e das propostas de Deus.
O primeiro filho foi convidado pelo pai a trabalhar “na vinha”. A sua primeira resposta foi negativa: “não quero”. No contexto familiar da Palestina do tempo de Jesus, trata-se de uma resposta totalmente reprovável, particularmente porque uma atitude deste tipo ia contra todas as convenções sociais… Enchia um pai de vergonha e punha em causa a sua autoridade diante dos familiares, dos amigos, dos vizinhos. No entanto, este primeiro filho acabou por reconsiderar e por ir trabalhar na vinha (vers. 28-29).
O segundo filho, diante do mesmo convite, respondeu: “vou, sim, senhor”. Deu ao pai uma resposta satisfatória, que não punha em causa a sua autoridade e a sua “honra”. Ficou bem visto diante de todos e todos o consideraram um filho exemplar. No entanto, acabou por não ir trabalhar na vinha (vers. 30).
A questão posta, em seguida, por Jesus, é: “qual dos dois fez a vontade do pai?” A resposta é tão óbvia que os próprios interlocutores de Jesus não têm qualquer pejo em a dar: “o primeiro” (vers. 31).
A parábola ensina que, na perspectiva de Deus, o importante não é quem se comportou bem e não escandalizou os outros; mas, de acordo com a lógica de Deus, o importante é cumprir, realmente, a vontade do pai. Na perspectiva de Deus, não bastam palavras bonitas ou declarações de boas intenções; mas é preciso uma resposta adequada e coerente aos desafios e às propostas do Pai (Deus).
É certo que os fariseus, os sacerdotes, os anciãos do Povo, disseram “sim” a Deus ao aceitar a Lei de Moisés… A sua atitude – como a do filho que disse “sim” e depois não foi trabalhar para a vinha – foi irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas, do ponto de vista do cumprimento da vontade de Deus, a sua atitude foi uma mentira, pois recusaram-se a acolher o convite de João à conversão. Em contrapartida, aqueles que, de acordo com o “política e religiosamente correcto” disseram “não” (por exemplo, os cobradores de impostos e as prostitutas), cumpriram a vontade do Pai: acolheram o convite de João à conversão e acolheram a proposta do Reino que Jesus veio apresentar (vers. 32).
Lida no contexto do ministério de Jesus, esta parábola dava uma resposta àqueles que O acusavam de acolher os pecadores e os marginais – isto é, aqueles que, de acordo com as “convenções”, disseram não a Deus. Jesus deixa claro que, na perspectiva de Deus, não interessam as convenções externas, mas a atitude interior. O que honra a Deus não é o que cumpre ritos externos e que dá “boa impressão” às massas; mas é o que cumpre a vontade de Deus.
Mais tarde, a comunidade de Mateus leu a mesma parábola numa perspectiva um pouco diversa. Ela serviu para iluminar a recusa do Evangelho por parte dos judeus e o seu acolhimento por parte dos pagãos. Israel seria esse “filho” que aceitou trabalhar na vinha mas, na realidade, não cumpriu a vontade do Pai; os pagãos seriam esse “filho” que, aparentemente, esteve sempre à margem dos projectos do Pai, mas aceitou o Evangelho de Jesus e aderiu ao Reino.


O cacho d'uvas

| 22 Setembro 2011
Um dia, um camponês apresentou-se à porta de um convento e ofereceu ao irmão porteiro um cacho de uvas:
- Este cacho de uvas é para si, porque sempre me tratou com muita amizade e me ajudou quando precisei. Desejo que este cacho de uvas lhe dê alguma alegria.
O frade porteiro passou a manhã a olhar para o magnífico cacho. A um certo momento, teve uma ideia: 
- Por que é que não levo estas uvas ao abade, para lhe dar um pouco de alegria?
Pegou no cacho e levou-o ao abade. Mas este lembrou-se que no convento havia um frade idoso e doente e pensou: 
«Levo-lhe as uvas e dou-lhe uma grande alegria». E assim fez.
Mas o frade doente, com o cacho nas mãos, pensou: 
- Levo-o ao irmão cozinheiro, que tanto se sacrifica por nós! 
E o frade cozinheiro pensou e levou-o ao sacristão. Este, por sua vez, levou-o ao frade mais novo do convento, que o deu a um outro.
E, de mão em mão, o saboroso cacho de uvas voltou às mãos do frade porteiro.

Catálogo de ideias

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Este material pode ajudar a criar novas ideias.


Como o carvalho

| 21 Setembro 2011

Todas as vezes em que nos deparamos com problemas na nossa vida, observamos o quanto somos frágeis. As alegrias vão embora e só fica a verdade de que somos impotentes para lidar com as adversidades que surgem no decorrer de nossa existência. Deus deixa-nos lições interessantes na criação para nos mostrar o contrário, que o homem foi criado forte e que essa força é sempre adquirida e absorvida dessas situações adversas. Conheces o CARVALHO? Pois é, essa árvore é usada pelos botânicos e geólogos como um medidor de catástrofes naturais do ambiente. Quando querem saber o índice de temporais e tempestades ocorrentes numa determinada floresta eles observam logo o carvalho (se existir no local) que naturalmente é a árvore que mais absorve as consequências de tempestades e temporais. Quanto mais temporais e tempestades o carvalho enfrenta, mais forte ele fica! As suas raízes naturalmente se aprofundam mais na terra e seu caule torna-se mais robusto, sendo impossível uma tempestade arrancá-lo do solo ou derrubá-lo! Mas não penses que os cientistas precisam fazer estas análises todas para saber isso! Basta apenas eles olharem para o carvalho. Devido à capacidade ema absorver as consequências das tempestades, a robusta árvore assume uma aparência disforme, como se realmente tivesse feito muita força, muitas vezes uma aparência 'triste'. Cada tempestade para um carvalho é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça. Numa grande tempestade muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece firme! 
Assim somos nós. Devemos tirar proveito das situações contrárias à nossa vida e ficarmos mais fortes. Um pouco marcado, muitas vezes com a aparência abatida, mas fortes! Com raízes bem firmes e profundas na terra. Podemos com isso compreender o que Deus nos quis ensinar quando disse que "podemos todas as coisas naquele que nos fortalece" e também a confiança do rei David quando cantou: "Ainda que eu ande por vales tenebrosos eu não temerei nenhum mal, porque Tu estás comigo.....". Por isso quando olhares pela janela o lindo amanhecer, lembra-te que não há temor com os infortúnios do dia, porque DEUS está contigo! Ele te protegerá! Se estás a viver lutas muito grandes nestes dias, faz como o carvalho... é só mais uma tempestade que o tornará mais forte segundo aquele que nos arregimentou!

(autor desconhecido)

Instrução Geral do Missal Romano #11

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Os gestos e atitudes corporais

42. Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do diácono e dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebração brilhe pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significação verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participação de todos[52]. Para isso deve atender-se ao que está definido pelas leis litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que à inclinação e arbítrio de cada um.
A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes[53].

43. Os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até à oração colecta, inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal; e desde o invitatório “Orai, irmãos”, antes da oração sobre as oblatas, até ao fim da Missa, excepto nos momentos adiante indicados.
Estão sentados: durante as leituras que precedem o Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação dos dons ao ofertório; e, se for oportuno, durante o silêncio sagrado depois da Comunhão.
Estão de joelhos durante a consagração, excepto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflecte após a consagração.
Compete, todavia, às Conferências Episcopais, segundo as normas do direito, adaptar à mentalidade e tradições razoáveis dos povos os gestos e atitudes indicados no Ordinário da Missa[54]. Atenda-se, porém, a que estejam de acordo com o sentido e o carácter de cada uma das partes da celebração. Onde for costume que o povo permaneça de joelhos desde o fim da aclamação do Sanctus até ao fim da Oração eucarística, é bom que este se mantenha.
Para se conseguir a uniformidade nos gestos e atitudes do corpo na celebração, os fiéis devem obedecer às indicações que, no decurso da mesma, lhes forem dadas pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo sacerdote, de acordo com o que está estabelecido nos livros litúrgicos.

44. Entre os gestos contam-se também: as acções e as procissões do sacerdote ao dirigir-se para o altar com o diácono e os ministros; do diácono, antes da proclamação do Evangelho, ao levar o Evangeliário ou Livro dos evangelhos para o ambão; dos fiéis ao levarem os dons e ao aproximarem-se para a Comunhão. Convém que estas acções e procissões se realizem com decoro, enquanto se executam os cânticos respectivos, segundo as normas estabelecidas para cada caso.

O silêncio
45. Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração [55]. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no acto penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e acção de graças.
Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados.


Notas:
[52] Cf. II Conc. do Vaticano, Const. sobre a sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, 34; cf. também Ibidem, 21.
[53] Cf. II Conc. do Vaticano, Const. sobre a sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, 30.
[54] Cf. Ibidem, 40; Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Instr. Varietates legitimae, 25 de Janeiro 1994, 41: AAS 87 (1995) 304.
[55] Cf. II Conc. do Vaticano, Const. sobre a sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, 30; Instr. Musicam sacram, 5 de Março 1967, 17: AAS 59 (1967) 305.

Qualidades do Catequista

| 20 Setembro 2011
  1. O catequista deve ter uma espiritualidade profunda de adesão a Jesus Cristo e à Igreja. Deve testemunhar com a sua vida, no seu compromisso com Cristo, com a Igreja e com a comunidade. Deve ser uma pessoa de oração e alimentar a sua vida com a Palavra de Deus.
  2. Deve ser uma pessoa integrada na comunidade. A catequese, hoje, deve ser comunitária.
  3. O Catequista precisa de uma consciência crítica diante de factos e acontecimentos. Deve levar a comunidade à reflexão sobre a realidade que a envolve, à luz da Palavra.
  4. Ter sempre uma atitude de animador. Saber ouvir e dialogar. O catequista faz caminho com a comunidade.
  5. O catequista deve conhecer a fundo a mensagem que vai transmitir. Deve conhecer a Bíblia e saber interpretá-la; deve saber ligar a vida à Palavra de Deus e vice-versa.
  6. O catequista precisa ter também certas qualidades "humanas": ser uma pessoa psicologicamente equilibrada; saber trabalhar em equipa, ter uma certa liderança e ser criativo; ser uma pessoa responsável e perseverante. Responsabilidade e pontualidade são necessárias; ter amor aos catequizandos e ter algumas noções de psicologia, didática e técnica de grupo; sentir dentro de si a vocação de catequista.
  7. O catequista deve cuidar constantemente da sua formação. Nunca pode dizer que está pronto para assumir a tarefa. É preciso uma formação permanente: através de dias de encontro, reflexão e oração com os restantes catequistas; faz planos e programa em conjunto com o grupo de catequistas, ajudando-se assim mutuamente; é importante participar em pequenos cursos dentro da paróquia, ou fora; ler bastante, actualizando-se sempre, estudando os documentos da Igreja sobre catequese e outros assuntos actuais; formando o grupo dos catequistas.
  8. Nota: Ninguém nasce catequista. Aqueles que são chamados a prestar este serviço tornam-se bons catequistas através da prática, da reflexão, da formação adequada, da consciencialização de sua importância como educadores da fé.
O catequista exerce um verdadeiro ministério, isto é, um SERVIÇO. E como nos diz o documento Catechesi Tradendae (A Catequese Hoje) a "actividade catequética é uma tarefa verdadeiramente primordial na missão da Igreja".
O catequista não age sozinho, mas em comunhão com a Igreja, com o grupo de catequistas. O grupo de catequistas expressa o carácter comunitário da tarefa catequética. É com o grupo que ele revê as suas acções, aprofunda os conteúdos, reza e reflecte.



O valor de um sorriso...

| 19 Setembro 2011
Raoul Follereau contou este facto: 
Ao visitar uma leprosaria, ficou surpreendido ao verificar que um desses leprosos, no meio de tantos “cadáveres” ambulantes, ainda sabia sorrir. Quando perguntou a alguém pelo segredo desse amor à vida, convidaram-no a observar o seu comportamento todas as manhãs.
Follereau viu então que, logo de manhã, o leproso ia sentar-se diante do muro que rodeava a leprosaria e aí ficava à espera. Aguardava até que, a meio da manhã, por detrás do alto muro aparecia o rosto de uma mulher, já enrugado, que lhe sorria. E o homem sorria também.
O rosto da mulher desaparecia, mas o homem já tinha o ânimo necessário para aguentar mais um dia, esperando que, no dia seguinte, o rosto do outro lado voltasse a sorrir.
O leproso explicou-lhe que era a sua mulher. E disse: “Ao vê-la cada dia, sei que ainda estou vivo!”.


Existe contradição entre fé e ciência natural?

| 18 Setembro 2011
Não existem contradições insolúveis entre fé e ciência natural, porque não podem existir verdades duplas.


Ninguém consegue chegar ao conhecimento das coisas divinas e humanas se antes não aprendeu matemática solidamente.
Santo Agostinho - Filósofo, bispo e doutor da Igreja

Entre Deus e ciência natural não encontramos qualquer contradição. Eles não se excluem, como hoje alguns crêem e temem; eles completam-se e implicam-se mutuamente.
Max Planck, físico alemão, Nobel da Física, fundador da teoria quântica


Nenhuma verdade da fé faz concorrência com as verdades da ciência. Só existe uma Verdade, à qual dizem respeito tanto a fé como a razão científica. Deus quis tanto a razão, com que podemos descobrir as estruturas racionais do mundo, como a fé. Por isso, a fé cristã exige e apoia a ciência natural. A fé existe para conhecermos as coisas que, embora não possam ser abarcadas pela razão, existem todavia para além da razão e são reais.
A fé lembra à ciência natural que esta não se deve colocar no lugar de Deus, mas servir a Criação. A ciência natural tem de respeitar a dignidade humana, em vez de atentar contra ela.
In  Youcat

Tema do 25º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

| 17 Setembro 2011


A liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir um Deus cujos caminhos e cujos pensamentos estão acima dos caminhos e dos pensamentos dos homens, quanto o céu está acima da terra. Sugere-nos, em consequência, a renúncia aos esquemas do mundo e a conversão aos esquemas de Deus.

A primeira leitura pede aos crentes que voltem para Deus. “Voltar para Deus” é um movimento que exige uma transformação radical do homem, de forma a que os seus pensamentos e acções reflictam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus.
O Evangelho diz-nos que Deus chama à salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, os créditos, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos. A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos uma transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Deus não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de um cristão (Paulo) que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e aos esquemas de egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projecto.

(...)

EVANGELHO – Mt 20,1-16a

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário,
que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.
Ajustou com eles um denário por dia
e mandou-os para a sua vinha.
Saiu a meio da manhã,
viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes:
‘Ide vós também para a minha vinha
e dar-vos-ei o que for justo’.
E eles foram.
Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde,
e fez o mesmo.
Saindo ao cair da tarde,
encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes:
‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’
Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’.
Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’.
Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz:
«Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário,
a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.
Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.
Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais,
mas receberam também um denário cada um.
Depois de o terem recebido,
começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo:
‘Estes últimos trabalharam só uma hora
e deste-lhes a mesma paga que a nós,
que suportámos o peso do dia e o calor’.
Mas o proprietário respondeu a um deles:
‘Amigo, em nada te prejudico.
Não foi um denário que ajustaste comigo?
Leva o que é teu e segue o teu caminho.
Eu quero dar a este último tanto como a ti.
Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu?
Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’
Assim, os últimos serão os primeiros
e os primeiros serão os últimos».

AMBIENTE

No texto que nos é proposto, Jesus continua a instruir os discípulos, a fim de que eles compreendam a realidade do Reino e, após a partida de Jesus, a testemunhem. Trata-se de mais uma “parábola do Reino”.
O quadro que a parábola nos apresenta reflecte bastante bem a realidade social e económica dos tempos de Jesus. A Galileia estava cheia de camponeses que, por causa da pressão fiscal ou de anos contínuos de más colheitas, tinham perdido as terras que pertenciam à sua família. Para sobreviver, esses camponeses sem terra alugavam a sua força de trabalho. Juntavam-se na praça da cidade e esperavam que os grandes latifundiários os contratassem para trabalhar nos seus campos ou nas suas vinhas. Normalmente, cada “patrão” tinha os seus “clientes” – isto é, homens em quem ele confiava e a quem contratava regularmente. Naturalmente, esses trabalhadores “de confiança” recebiam um tratamento de favor. Esse tratamento de favor implicava, nomeadamente, que esses “clientes” fossem sempre os primeiros a ser contratados, a fim de que pudessem ganhar uma “jorna” completa (um “denário”, que era o pagamento diário habitual de um trabalhador não especializado).

MENSAGEM

A parábola refere-se, portanto, a um dono de uma vinha que, ao romper da manhã, se dirigiu à praça e chamou os seus “clientes” para trabalhar na sua vinha, ajustando com eles o preço habitual: um denário. O volume de tarefas a realizar na vinha fez com que este patrão voltasse a sair a meio da manhã, ao meio-dia, às três da tarde e ao cair da tarde e que trouxesse, de cada vez, novas levas de trabalhadores. O trabalho decorreu sem incidentes, até ao final do dia.
Ao anoitecer, os trabalhadores foram chamados diante do senhor, a fim de receberem a paga do trabalho. Todos – quer os que só tinham trabalhado uma hora, quer os que tinham trabalhado todo o dia – receberam a mesma paga: um denário. Contudo, os trabalhadores da primeira hora (os “clientes” habituais do dono da vinha) manifestaram a sua surpresa e o seu desconcerto por, desta vez, não terem recebido um tratamento “de favor”.
A resposta final do dono da vinha afirma que ninguém tem nada a reclamar se ele decide derramar a sua justiça e a sua misericórdia sobre todos, sem excepção. Ele cumpre as suas obrigações para com aqueles que trabalham com ele desde o início; não poderá ser bondoso e misericordioso para com aqueles que só chegam no fim? Isso em nada deveria afectar os outros…
Muito provavelmente, a parábola serviu primariamente a Jesus para responder às críticas dos adversários, que O acusavam de estar demasiado próximo dos pecadores (os trabalhadores da última hora). Através dela, Jesus mostra que o amor do Pai se derrama sobre todos os seus filhos, sem excepção e por igual. Para Deus, não é decisiva a hora a que se respondeu ao seu apelo; o que é decisivo é que se tenha respondido ao seu convite para trabalhar na vinha do Reino. Para Deus, não há tratamento “especial” por antiguidade; para Deus, todos os seus filhos são iguais e merecem o seu amor.
A parábola serviu a Jesus, também, para denunciar a concepção que os teólogos de Israel tinham de Deus e da salvação. Para os fariseus, sobretudo, Deus era um “patrão” que pagava conforme as acções do homem. Se o homem cumprisse escrupulosamente a Lei, conquistaria determinados méritos e Deus pagar-lhe-ia convenientemente. Segundo esta perspectiva, Deus não dá nada; é o homem que conquista tudo. O “deus” dos fariseus é uma espécie de comerciante, que todos os dias aponta no seu livro de registos as dívidas e os créditos do homem, que um dia faz as contas finais, vê o saldo e dá a recompensa ou aplica o castigo.
Para Jesus, no entanto, Deus não é um contabilista, sempre de lápis na mão a fazer as contas dos homens para lhes pagar conforme os seus merecimentos; mas é um pai, cheio de bondade, que ama todos os seus filhos por igual e que derrama sobre todos, sem excepção, o seu amor.
A parábola foi, depois, proposta por Mateus à sua comunidade (provavelmente a comunidade cristã de Antioquia da Síria) para iluminar a situação concreta que a comunidade estava a viver com a entrada maciça de pagãos na Igreja. Alguns cristãos de origem judaica não conseguiam entender que os pagãos, vindos mais tarde, estivessem em pé de igualdade com aqueles que tinham acolhido a proposta do Reino desde a primeira hora. Mateus deixa, no entanto, claro que o Reino é um dom oferecido por Deus a todos os seus filhos, sem qualquer excepção. Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou da última hora, todos são filhos amados do mesmo Pai. Na comunidade de Jesus não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento… O dom de Deus destina-se a todos, por igual.
Conclusão: A parábola convida-nos a perceber que o nosso Deus é o Deus que oferece gratuitamente a salvação a todos os seus filhos, independentemente da sua antiguidade, créditos, qualidades, ou comportamentos. Os membros da comunidade do Reino não devem, por isso, fazer o bem em vista de uma determinada recompensa, mas para encontrarem a felicidade, a vida verdadeira e eterna.



Identidade do Catequista

| 16 Setembro 2011
A vocação de catequista, a sua existência na Igreja, é um dom do qual há que dar graças a Deus. Juntamente com este louvor é preciso discernir que tipo de catequistas a Igreja precisa, hoje, para realizar a sua tarefa de evangelização (Cf EN 14), nesta situação histórica concreta. O catequista surge, então, como alguém chamado por Deus, vocacionado; que acredita no Senhor, com uma fé profunda; e consciente do seu ser Igreja, com uma clara identidade eclesial.

O catequista participa e prolonga a missão de Jesus como Mestre, pois realiza o mandato do Senhor: “Ide e fazei discípulos”(Mt 28,19). Assim, Jesus Cristo, no seu seguimento e imitação, constitui para o catequista o modelo determinante de toda a sua missão.

Para que a catequese seja significativa, o catequista deve estar enraizado na forma de ensinar de Jesus Cristo que é cativante e atractiva, pelo que deve viver alimentado continuamente do Mistério Pascal de Jesus Cristo, que é o conteúdo fundamental do Evangelho e o núcleo do testemunho da fé Apostólica.

- Com uma fé profunda

Porque é chamado a ser educador da fé, o catequista deve possuir, antes de mais, uma profunda vida de fé. Deve estar imbuído de um profundo sentido religioso, com uma experiência madura de fé e um forte sentido de Deus, do divino. Isto porque o catequista deve ser o anunciador de Deus e dizê-Lo no mundo de hoje. Ao dizer a sua fé, está a responder às inquietações mais profundas do coração humano, que é a sede de absoluto que habita em cada homem (Cf DGC 23).

O catequista é, então, alguém consciente da sua fé. Tem uma posição tranquila e serena da sua opção por Cristo, confia n’Ele e vive em docilidade à acção do Espírito Santo. Na sua pessoa verifica-se a interacção entre fé e vida, ou seja, vive uma autêntica experiência de fé.

Isto significa que o catequista deve ocupar-se da sua própria vida no Espírito como exigência da responsabilidade que lhe outorga a Igreja, catequizar. O catequista experimentará um processo contínuo de amadurecimento na fé e configuração com Cristo, segundo a vontade de Deus Pai, guiado pelo Espírito Santo(Cf ChL 57).

De acordo com a exortação apostólica Christifideles Laici, o plano pessoal de vida espiritual cristã, necessário para todo aquele que quer viver na busca permanente da vontade de Deus, tem como elementos indispensáveis a escuta pronta e dócil da Palavra de Deus, a oração filial e constante, uma verdadeira direcção espiritual, e a leitura, feita na fé, dos dons e dos talentos recebidos, bem como das diversas situações sociais e históricas em que nos encontramos(Cf ChL 58). Este plano de vida espiritual proposto pela Igreja está ao serviço da vida no Espírito, ou seja, do processo configurador com Cristo, sob a acção do Espírito Santo.

- Clara identidade eclesial

A identidade eclesial provém de uma forte adesão a Jesus Cristo e do seguimento d’Ele. O catequista tem bem clara a sua pertença à Igreja, o seu ser Igreja. A identidade do catequista vem, pois, definida não só pela sua personalidade de cristão, igual a todos os baptizados, mas também, e sobretudo, pela sua missão específica na Igreja. O catequista transmite a fé da Igreja como testemunha. Experimenta o seu ser Igreja como algo que faz parte da sua fé.
Isto é de extrema importância, porque há uma relação directa entre a concepção de Igreja e a transmissão da fé. Só com catequistas que se sentem Igreja, que têm e vivem uma correcta concepção da mesma, a transmissão de fé se realiza correctamente. Mais, uma das principais causas da pouca eficácia da nossa catequese actual está precisamente no deficit eclesial dos nossos catequistas. Porque a Igreja faz parte da confissão de fé, se ela não está plenamente presente, a fé que se transmite é deficiente: “a confissão de fé só é completa quando integra a referência à Igreja” (DGC 83), o creio e o cremos exigem-se e implicam-se mutuamente.
O catequista, como agente da Evangelização, age em nome da Igreja, o que tem uma dupla consequência: sente-se apoiado por toda a Igreja e transmite a fé da Igreja (Cf EN 60).

- Enviado pela Comunidade

O catequista realiza a sua missão no âmbito da Comunidade, da Paróquia, e por mandato desta, pois a catequese é uma responsabilidade de toda a comunidade cristã (Cf DGC 220; AG 14; CT 62): a “catequese tem sido sempre e continuará a ser uma obra pela qual toda a Igreja se deve sentir e mostrar responsável”(CT 16). Além do mais a comunidade cristã, a Igreja, é origem e meta da catequese, além de conteúdo de fé.
A relação entre o catequista e a comunidade que o envia nunca pode ser descuidada, nem pressuposta: a fidelidade à Igreja é fundamental para o catequista e para a sua missão.
Embora toda comunidade seja responsável pela catequese e a todos é pedido o testemunho da fé, só alguns recebem o mandato de serem catequistas (Cf DGC 221)

- Com Preocupação missionária

A realidade em que vivemos, com a situação adversa à fé, pede que a Igreja exerça duas acções simultâneas no campo catequético: a acção missionária e a catequese de iniciação. Assim, um catequista com preocupação missionária deve procurar acima de tudo, que os catequizandos adiram à fé, no meio de uma situação adversa, procurem cooperar com a graça de Deus, para que se realize uma verdadeira conversão.

Esta preocupação missionária não nasce do medo, mas sim da alegria em anunciar a Boa Nova; e não se faz por costume, mas sim porque se descobriu a grande surpresa que é Cristo. Só assim se poderão vencer os anticorpos de uma sociedade que se vacinou contra tudo aquilo que é cristão.

- Com um saber específico

Para realizar a sua missão de educador da fé, para além da formação doutrinal sólida, deve possuir a formação básica sobre os princípios fundamentais da pastoral e o projecto pastoral da Igreja diocesana, dominar o essencial daquilo que é o acto catequético e a programação catequética, conhecer as pessoas com quem vai trabalhar, as suas motivações, bem como as situação social e de fé de cada um dos catequizandos. Por último, saber fazer uma leitura crente e, por isso, esperançosa da realidade (Cf DGC 16).

- Para fazer discípulos, numa Igreja sempre renovada

A finalidade da acção do catequista consiste em acompanhar o catequizando num processo de conversão, em ordem a favorecer uma profissão de fé viva, explícita e actuante; ou seja, fazer discípulos de Jesus Cristo. Este objectivo é conseguido na Igreja, como origem, meta e âmbito da catequese. É sempre da comunidade cristã que nasce o anúncio do Evangelho, que convida cada pessoa a seguir Cristo. É esta mesma comunidade eclesial que acolhe aqueles que desejam conhecer Jesus Cristo, acompanha e convida a participar na experiência da fé (DGC 254), contando sempre com o ministério dos catequistas. Por isso os catequistas prestam um serviço eclesial ao serem agentes de transmissão da fé e, por consequência, edificadores da Igreja, onde está presente o Mistério de Deus.

Aqui está o essencial da missão eclesial do catequista: deve estar ao serviço da profissão de fé dos catequizandos, na Igreja, como lugar de transmissão e de possibilidade de profissão de fé. Só na Igreja, que é mistério de comunhão em razão da Comunhão Trinitária, é que a pessoa humana pode aceder ao desígnio de salvação eterna na história, através do mistério pascal de Jesus Cristo. Trata-se de que o homem se deixe introduzir no Mistério trinitário e viver desse Mistério.

Síntese:
- O catequista é alguém dotado de uma profunda fé adulta.
- O mandato de transmitir a fé como testemunha é-lhe conferido pela própria Igreja, pela Comunidade onde exerce o seu ministério.
- Realiza a sua missão com competência e alegria, procurando cooperar com a acção de Deus junto daqueles que Ele chama para a sua Igreja.


Textos de referência:
Cristo é o modelo do catequista: Jo 4,1-41.
O Catequista, pessoa de fé: CCE 1814-1816.
A Igreja está presente na formação do Catequista: DGC 236.
Qualidades dos catequistas: CCE 428.
Os leigos na Catequese: DGC 230-231.
O papel do catequista na acção catequética: DGC 156
Os leigos na Catequese: CT 66.
O catequista realiza uma missão eclesial: EN 60.
Departamento Arquidiocesano de Catequese

História da Igreja Católica #05

| 15 Setembro 2011
5. O Sistema Universitário
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Transmissores da palavra em formação

| 14 Setembro 2011
No passado dia 10 de Setembro, realizou-se no Santuário de N.ª Sr.ª do Sameiro em Braga, o Dia Arquidiocesano do Catequista. Tal como nos anos anteriores, Rendufinho fez-se representar por alguns dos catequistas da sua paróquia. 
Apesar das mudanças de planos na agenda do dia, começou bem, com a oração da manhã a ser presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, uma situação que não estava prevista. Seguidamente participamos na conferência com o tema "origem, lugar e meta da catequese", apresentada pelo P. Manuel Queirós. A partir das 12:00horas e até às 13:00 tiveram lugar vários ateliês onde cada um escolhia o tema que mais lhe agradava para participar.

Na Cripta do Santuário estavam cerca de três mil catequistas, da Arquidiocese de Braga, em formação, convívio e oração. 
Todos rumaram ao Sameiro com o mesmo intuito, o de adquirir mais conhecimentos, para melhor evangelizar 
A chuva que começou a cair durante a manhã, obrigou a alterar os locais previstos para os Ateliês, fazendo com que os mesmo se realizassem junto à entrada da cripta.
A dificuldade em ouvir o que se passava em cada atelier era alguma, já que se misturavam os assuntos, mas apesar disso, foi gratificante estar presente. Trazemos sempre mais do que aquilo que levamos e isso é o quanto basta para dizer que valeu a pena!!!
Tive pena de não poder ter ficado para a parte da tarde, mas tinha outros compromissos assumidos aos quais não poderia faltar, no entanto o resto do grupo participou até ao final onde assistiram a um Concerto Oração que leve lugar por volta das 14:30, assistindo seguidamente à celebração da palavra presidida pelo Sr.   Bispo Auxiliar D. Manuel Linda.
O caminho faz-se caminhando e todos juntos acreditamos que é possível. 
Um bem haja a todos e felicidades na vossa caminhada.

Pelo grupo da Catequese de Rendufinho, José Lemos

Catequese, responsabilidade da comunicação cristã

| 13 Setembro 2011
Reflexão de D. Jorge Ortiga no Dia Arquidiocesano do Catequista

O Dia Arquiodicesano é momento duma maior consciencialização da verdadeira identidade da catequese, naquilo que ela é e no que supõe como condicionante dos resultados. E o catequista é o intérprete duma reinterpretação desta vocação eclesial.
Este ano é proposta uma afirmação inequívoca que nunca pode ser esquecida: a catequese é responsabilidade da comunidade cristã.
Se é fácil sublinhar estes aspectos, há um pressuposto fundamental. Não havendo comunidades autênticas, é possível desenvolver uma catequese adequada? Pessoalmente, reconheço que sem comunidade nunca pode haver catequese.
O Santo Padre na Verbum Domini, que nos acompanhará este ano, afirma: “O encontro dos discípulos de Emaús com Jesus… representa, em certo sentido, o modelo de uma catequese em cujo centro está a “explicação das Escrituras”, que somente Cristo é capaz de dar (cf. Lc 24, 27.L8), mostrando o seu cumprimento na sua pessoa”.
Como é que Cristo é capaz de dar a verdadeira “explicação das Escrituras”? O Santo Padre responde: “A actividade catequética implica sempre abeirar-se das Escrituras, na fé e na Tradição da Igreja, de modo que aquelas palavras sejam sentidas vivas, como Cristo está vivo, hoje, onde duas ou três pessoas se reúnem em seu nome (cf. Mt 18, 20) (Conf. V.D. n. 74). Só Cristo “ explica” Cristo, e a Igreja tem o dever de mostrar que Ele continua, nas comunidades, a estar vivo.
Será que isto acontece? Ousemos ser realistas e interroguemo-nos: Qual a nossa primeira e indispensável preocupação? Fazer coisas para falar de Cristo ou apostar na Sua presença, para que a Sua voz se torne perceptível, sugestiva e motivadora de vida nova?
Há uma conclusão urgente a fazer. Não basta pressupor que a comunidade existe e que aí está presente Cristo. É preciso construir e edificar verdadeiras comunidades para, depois, partir para outras iniciativas. Tanto trabalho e canseiras inúteis por negligência e esquecimento do essencial.

5º Ano da Catequese

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O novo catecismo do 5º ano da catequese está prestes a sair. Enquanto esperamos a sua publicação, temos algum material que o SNEC já disponibilizou como o Plano Pedagógico do Catecismo 5 onde se indicam os objectivos, as indicações dos principais elementos da experiência humana, palavra, expressão de fé e compromisso que compõem o percurso de cada catequese, e onde se dão indicações práticas para a preparação de actividades. Também estão disponíveis as cinco primeiras sessões de catequese.

Ser feliz...

| 12 Setembro 2011
«Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.»

Augusto Cury

Formar catequistas

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O dia em que o mundo parou

| 10 Setembro 2011

11 de Setembro de 2001. 8h48 da manhã. Os habitantes de Nova Iorque assistem a um Boeing 737, da American Airlines, cruzar o ar de Manhattan e — como num filme de acção ao qual estavam cansados de assistir ou numa história em quadradinhos de super-heróis — chocar-se com a torre norte do World Trade Center. 9h03. Ainda atónitos, como se à espera de seus heróis da ficção, que teimavam em não aparecer, presenciam outro Boeing, dessa vez um 767, da United Airlines, cruzar o Rio Hudson e atingir em cheio a torre sul do WTC.
Agora, já inseridos no mundo real, onde as pessoas de verdade também se machucam e morrem, ficam sabendo que, às 9h40, o prédio do Pentágono, sede da Secretaria de Defesa dos EUA, em Washington, a capital do país, foi atingido por outro avião da American Airlines. Minutos mais tarde, parte do prédio desaba. Mas o pior ainda está por vir.
10h02. O impensável: desaba a torre sul do World Trade Center, levando consigo milhares de pessoas ainda presas no seu interior, além das equipas de resgate que lá estavam. 10h03. Um avião da United Airlines cai no condado de Somerset, na Pensilvânia. 10h29. A torre norte do WTC desaba, levantando poeira em toda a região sul da cidade de Nova Iorque. 21h30. George W. Bush, assumindo o papel do super-herói, já que este não apareceu na hora H, fala à nação e promete que os culpados serão encontrados e punidos. Começa assim, oficialmente, o século XXI.
O gigante vencedor da Guerra Fria é atingido no coração e o mundo fica a saber que, apesar do seu sofisticado sistema de defesa anti mísseis, a sua integridade também está à mercê do “mal”, assim como qualquer café no centro de Telavive ou posto de polícia na Caxemira.
Hoje, tempos depois, o mundo contabiliza as mudanças pelas quais foi obrigado a passar. Segurança, política, economia, cultura, liberdade. Nada mais é igual ao que conhecíamos até ao dia 10 de Setembro desse ano, e a dinâmica dessa reformulação ainda assusta.
Não há dúvidas de que ainda será preciso mais tempo para vermos com olhos de ver o tamanho real dos atentados na história da humanidade, mas algumas coisas já temos de concreto. Talvez a principal seja que, se o resto do mundo ainda tenta superar o acontecido, para os norte-americanos, é ainda mais difícil se recuperar da pancada, já que eles têm de se confrontar com esta verdade: seus heróis também são falíveis. O actor Tom Hanks declarou meses depois que os atentados de 11 de setembro são como "Pearl Harbor e os assassinatos de John F. Kennedy e Martin Luther King juntos" e que será preciso muitos anos para o povo americano superar esses factos.

Texto de Diogo Dreyer, escrito um ano depois do atentado. Retirado do site Educacional


Neste momento já passaram 10 anos. A perplexidade de todo este acontecimento ainda existe naqueles que sobreviveram e naqueles que, em todo o mundo, assistiram a tamanha crueldade humana. Certamente muitos de nós lembra-se exactamente onde estavam e o que faziam naquele momento, tal foi a marca deixada em cada um. Ainda esfregamos os olhos quando vemos as imagens e dizemos 'não, isto não foi um sonho, foi mesmo verdade'. Como foi possível? 
Entretanto houveram outros atentados e ameaças de atentados pelo resto do mundo. O medo torna-se uma constante todas as vezes que se enfrenta multidões ou saímos daquele perímetro habitual do nosso dia-a-dia. A insegurança é cada vez maior. O século XXI, de facto, não começou com o pé direito...

Tema do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

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A Palavra de Deus que a liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum nos propõe fala do perdão. Apresenta-nos um Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos que, dia a dia, caminham ao nosso lado.
O Evangelho fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos – de forma total, ilimitada e absoluta – o seu perdão. Os crentes são convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixarem que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a sua relação com os irmãos.
A primeira leitura deixa claro que a ira e o rancor são sentimentos maus, que não convêm à felicidade e à realização do homem. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão; e avisa que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento.
Na segunda leitura Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus devem ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.

(...)

EVANGELHO – Mt 18,21-35

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
«Se meu irmão me ofender,
quantas vezes deverei perdoar-lhe?
Até sete vezes?»
Jesus respondeu:
«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei
que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo,
apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar,
o senhor mandou que fosse vendido,
com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía,
para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo
deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia cem denários.
Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo:
‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo:
‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não conseguiu e mandou-o prender,
até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena,
os seus companheiros ficaram muito tristes
e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse:
‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão
de todo o coração».

AMBIENTE

Continuamos a ler o “discurso eclesial”, que preenche todo o capítulo 18 do Evangelho segundo Mateus. Este “discurso” tem como ponto de partida algumas “instruções” apresentadas por Marcos sobre a vida comunitária (cf. Mc 9,33-37.42-47), mas que Mateus ampliou de forma significativa. Os destinatários do discurso são os discípulos (na realidade Mateus pretende, sobretudo, atingir os membros dessa comunidade cristã a quem este Evangelho se destina).
Por detrás do texto que nos é hoje proposto, podemos entrever uma comunidade onde as tensões e os conflitos degeneram em ofensas pessoais e que tem muita dificuldade em perdoar.

MENSAGEM

O mandamento do perdão não é novo – como vimos, aliás, na primeira leitura. Os catequistas de Israel ensinavam a perdoar as ofensas e a não guardar rancor contra o irmão que tinha cometido qualquer falha. Os “mestres” de Israel estavam, no entanto, de acordo em que a obrigação de perdoar existia apenas em relação aos membros do Povo de Deus (os inimigos estavam excluídos dessa dinâmica de amor e de misericórdia). A grande discussão girava, porém, à volta do número limite de vezes em que se devia perdoar. Todos – desde os mais exigentes aos mais misericordiosos – aceitavam, contudo, que o perdão tem limites e que não se deve perdoar indefinidamente.
É nesta problemática que Jesus é envolvido pelos discípulos. Pedro, o porta-voz da comunidade, consulta Jesus acerca dos limites do perdão. Ele sabe que, quanto a isto, Jesus tem ideias radicais e, talvez com alguma ironia, pergunta a Jesus se, na sua perspectiva, se deve perdoar sempre (“até sete vezes?” – vers. 21: o número sete, na cultura semita, indica “totalidade”).
Jesus responde que não só se deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada, total, absoluta (“setenta vezes sete” – vers. 22). Deve-se perdoar sempre, a toda a gente (mesmo aos inimigos) e sem qualquer reserva, sombra ou prevenção.
É neste contexto e a propósito da lógica do perdão que Jesus propõe aos discípulos uma parábola (vers. 23-35). A parábola apresenta-se em três quadros ou cenas.
O primeiro quadro (vers. 23-27) coloca-nos diante de uma cena de corte: um funcionário real, na hora de prestar contas ao seu senhor (provavelmente de impostos recebidos e nunca entregues), revela-se incapaz de saldar a sua dívida. O senhor ordena que o funcionário e a sua família sejam vendidos como escravos; mas, perante a humildade e a submissão do servo, o senhor deixa-se dominar por sentimentos de misericórdia e perdoa a dívida. Neste quadro, o que impressiona mais é o montante astronómico da dívida: dez mil talentos (um talento equivalia a cerca de 36 Kg e podia ser em ouro ou em prata. Dez mil talentos é, portanto, uma soma incalculável). O exagero da dívida serve, aqui, para pôr em relevo a misericórdia infinita do senhor.
O segundo quadro (vers. 28-30) descreve como esse funcionário que experimentou a misericórdia do seu senhor se recusou, logo a seguir, a perdoar um companheiro que lhe devia cem denários (um denário equivalia a 12 gramas de prata e era o pagamento diário de um operário não especializado. Cem denários correspondia, portanto, a uma quantia insignificante para um alto funcionário do rei).
Quando estes dois quadros são postos em paralelo, sobressaem, por um lado, a desproporção entre as duas dívidas e, por outro, a diferença de atitudes e de sentimentos entre o senhor (capaz de perdoar infinitamente) e o funcionário do rei (incapaz de se converter à lógica do perdão, mesmo depois de ter experimentado a alegria de ser perdoado).
É precisamente desta diferença de comportamentos e de lógicas que resulta o terceiro quadro (vers. 28-35): os outros companheiros do funcionário real, chocados com a sua ingratidão, informaram o rei do sucedido; e o rei, escandalizado com o comportamento do seu funcionário, castigou-o duramente.
Antes de mais, a parábola é uma catequese sobre a misericórdia de Deus. Mostra como, na perspectiva de Deus, o perdão é ilimitado, total e absoluto.
Depois, a parábola convida-nos a analisar as nossas atitudes e comportamentos face aos irmãos que erram. Mostra como neste capítulo, a nossa lógica está, tantas vezes, distante da lógica de Deus. Diante de qualquer falha do irmão (por menos significativa que ela seja), assumimos a pose de vítimas magoadas e, muitas vezes, tomamos atitudes de desforra e de vingança que são o sinal claro de que ainda não interiorizámos a lógica de Deus.
Finalmente, a parábola sugere que existe uma relação (aliás já afirmada na primeira leitura deste domingo) entre o perdão de Deus e o perdão humano. Mateus estará a sugerir que o perdão de Deus é condicionado e que só se tornará efectivo se nós aprendermos a perdoar aos nossos irmãos? O que Mateus está a dizer, sobretudo, é que na comunidade cristã deve funcionar a lógica do perdão ilimitado: se essa é a lógica de Deus, terá de ser a nossa lógica, também. O que Mateus está a sugerir, também, é que se o nosso coração não bater segundo a lógica do perdão, não terá lugar para acolher a misericórdia, a bondade e o amor de Deus. Fazer a experiência do amor de Deus transforma-nos o coração e ensina-nos a amar os nossos irmãos, nomeadamente aqueles que nos ofenderam.
Deus pagará na mesma moeda e castigará quem não for capaz de viver segundo a lógica do perdão e da misericórdia? Não. Decididamente, o revanchismo e a vingança não fazem parte dos métodos de Deus… Mateus usa aqui – bem ao jeito semita – imagens fortes e dramáticas para sublinhar que a lógica do perdão é urgente e que dela depende a construção de uma realidade nova, de amor, de comunhão, de fraternidade – a realidade do Reino.


Instrução Geral do Missal Romano #10

| 08 Setembro 2011
Importância do canto

39. O Apóstolo exorta os fiéis, que se reúnem à espera da vinda do Senhor, a que unam as suas vozes para cantar salmos, hinos e cânticos espirituais (cf. Col 3, 16). O canto é sinal de alegria do coração (cf. Actos 2, 46). Bem dizia Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”[48]. E vem já de tempos antigos o provérbio: “Quem bem canta, duas vezes reza”.

40. Deve ter-se, pois, em grande apreço o canto na celebração da Missa, de acordo com a índole dos povos e as possibilidades de cada assembleia litúrgica. Embora não seja necessário cantar sempre, por exemplo nas Missas feriais, todos os textos que, por si mesmos, se destinam a ser cantados, deve no entanto procurar-se com todo o cuidado que não falte o canto dos ministros e do povo nas celebrações que se realizam nos domingos e festas de preceito.
Na escolha das partes que efectivamente se cantam, dê-se preferência às mais importantes, sobretudo às que devem ser cantadas pelo sacerdote ou pelo diácono ou pelo leitor, com resposta do povo, bem como às que pertence ao sacerdote e ao povo proferir conjuntamente[49].

41. Em igualdade de circunstâncias, dê-se a primazia ao canto gregoriano, como canto próprio da Liturgia romana. De modo nenhum se devem excluir outros géneros de música sacra, principalmente a polifonia, desde correspondam ao espírito da acção litúrgica e favoreçam a participação de todos os fiéis[50].
Dado que hoje é cada vez mais frequente o encontro de fiéis de diferentes nacionalidades, convém que eles saibam cantar em latim pelo menos algumas partes do Ordinário da Missa, sobretudo o símbolo da fé e a oração dominical, nas suas melodias mais fáceis[51].



Notas:
[48] Santo Agostinho de Hipona, Sermão 336, 1: PL 38, 1472.
[49] Cf. S. Congregação dos Ritos, Instr. Musicam sacram, 5 de Março 1967, 7, 16: AAS 59 (1967) 302, 305.
[50] Cf. II Conc. do Vaticano, Const. sobre a sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, 116; cf. também Ibidem, 30.
[51] Cf. II Conc. do Vaticano, Const. sobre a sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, 54; S. Congregação dos Ritos, Instr. Inter Oecumenici, 26 de Setembro 1964, n. 90: AAS 56 (1964) 897; Instr. Musicam sacram, 5 de Março 1967, 47: AAS 59 (1967) 314.

A árvore e os seus frutos

| 06 Setembro 2011
Acautelai-vos dos falsos profetas, que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 
Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. 
Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. 
Nem todo o que diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demónios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?
Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. 

Mateus 7:15-23

Procura-se catequista

| 05 Setembro 2011
- A Pessoa do Catequista -

O catequista perfeito não existe. Como todo cristão, precisa de formação permanente. O perfil de catequista é moldado na formação e na prática que vai adquirindo na caminhada, assumindo a vocação do baptismo de anunciar o Reino de Deus, lembrando que, antes de evangelizar, deve se deixar evangelizar.

O catequista deve ser consciente da missão e, ao assumir a catequese na comunidade, sentir-se pessoa integrada na comunidade, caminhar com ela, estar sensível aos seus problemas, desenvolvendo a consciência crítica diante de factos e acontecimentos, que levem a comunidade à reflexão sobre a sua realidade, a partir de uma espiritualidade profunda de adesão a Jesus Cristo e à Igreja.

Deve ser uma pessoa de oração e alimentar sua vida com a Palavra de Deus e com a Eucaristia para ajudar a si mesmo e à comunidade a libertar-se do egoísmo, do pecado, e levá-la à celebração da vida na Liturgia.

O catequista precisa ser uma pessoa psicologicamente equilibrada, que sabe trabalhar em equipa, seja criativo, responsável, pontual, perseverante e tenha uma certa liderança.

Deve ter amor aos catequizandos e ter algumas noções de psicologia, didática, metodologia e técnica de grupo, e sentir dentro de si o ardor da vocação.

Sem essa vocação, logo desanimará diante das exigências da acção catequética.

Nunca pode dizer que está pronto para sua tarefa, planeando e programando com o grupo de catequistas; participar de encontros na própria comunidade, paróquia ou fora; actualizar-se sempre, estudando os documentos orientativos da Igreja sobre catequese e outros assuntos actuais.

São desafios para a catequese não infantilizar a evangelização, reconhecer a experiência rica e diversificada da caminhada do Povo de Deus, reconhecer o catequizando como interlocutor e propor uma catequese vivencial, personalizada, que busca respostas de fé.

Texto de Manuel Freixo dos Santos
Coordenador de Catequese no Brasil

Tema do 23º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

| 03 Setembro 2011

A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leitura fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.

(...)

EVANGELHO – Mt 18,15-20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».

AMBIENTE

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus é conhecido como o “discurso eclesial”. Apresenta uma catequese de Jesus sobre a experiência de caminhada em comunidade. Aqui, Mateus ampliou de forma significativa algumas instruções apresentadas por Marcos sobre a vida comunitária (cf. Mc 9,33-37. 42-47) e compôs, com esses materiais, um dos cinco grandes discursos que o seu Evangelho nos apresenta. Os destinatários desta “instrução” são os discípulos e, através deles, a comunidade a que o Evangelho de Mateus se dirige.
A comunidade de Mateus é uma comunidade “normal” – isto é, é uma comunidade parecida com qualquer uma das que nós conhecemos. Nessa comunidade existem tensões entre os diversos grupos e problemas de convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares; há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os pobres e os débeis; há irmãos que magoam e ofendem outros membros da comunidade; há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros… Para responder a este quadro, Mateus elaborou uma exortação que convida à simplicidade e humildade, ao acolhimento dos pequenos, dos pobres e dos excluídos, ao perdão e ao amor. Ele desenha, assim, um “modelo” de comunidade para os cristãos de todos os tempos: a comunidade de Jesus tem de ser uma família de irmãos, que vive em harmonia, que dá atenção aos pequenos e aos débeis, que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor.

MENSAGEM

O fragmento do “discurso eclesial” que nos é hoje proposto refere-se, especialmente, ao modo de proceder para com o irmão que errou e que provocou conflitos no seio da comunidade. Como é que os irmãos da comunidade devem proceder, nessa situação? Devem condenar, sem mais, e marginalizar o infractor?
Não. Neste quadro, as decisões radicais e fundamentalistas raramente são cristãs. É preciso tratar o problema com bom senso, com maturidade, com equilíbrio, com tolerância e, acima de tudo, com amor. Mateus propõe um caminho em várias etapas…
Em primeiro lugar, Mateus propõe um encontro com esse irmão, em privado, e que se fale com ele cara a cara sobre o problema (vers. 15). O caminho correcto não passa, decididamente, por dizer mal “por trás”, por publicitar a falta, por criticar publicamente (ainda que não se invente nada), e muito menos por espalhar boatos, por caluniar, por difamar. O caminho correcto passa pelo confronto pessoal, leal, honesto, sereno, compreensivo e tolerante com o irmão em causa.
Se esse encontro não resultar, Mateus propõe uma segunda tentativa. Essa nova tentativa implica o recurso a outros irmãos (“toma contigo uma ou duas pessoas” – diz Mateus – vers. 16) que, com serenidade, sensibilidade e bom senso, sejam capazes de fazer o infractor perceber o sem sentido do seu comportamento.
Se também essa tentativa falhar, resta o recurso à comunidade. A comunidade será então chamada a confrontar o infractor, a recordar-lhe as exigências do caminho cristão e a pedir-lhe uma decisão (vers. 16a).
No caso de o infractor se obstinar no seu comportamento errado, a comunidade terá que reconhecer, com dor, a situação em que esse irmão se colocou a si próprio; e terá de aceitar que esse comportamento o colocou à margem da comunidade. Mateus acrescenta que, nesse caso, o faltoso será considerado como “um pagão ou um cobrador de impostos” (vers. 17b). Isto significa que os pagãos e os cobradores de impostos não têm lugar na comunidade de Mateus? Não. Ao usar este exemplo, o autor deste texto não pretende referir-se a indivíduos, mas a situações. Trata-se de imagens tipicamente judaicas para falar de pessoas que estão instaladas em situações de erro, que se obstinam no seu mau proceder e que recusam todas as oportunidades de integrar a comunidade da salvação.
A Igreja tem o direito de expulsar os pecadores? Mateus não sugere aqui, com certeza, que a Igreja possa excluir da comunhão qualquer irmão que errou. Na realidade, a Igreja é uma realidade divina e humana, onde coexistem a santidade e o pecado. O que Mateus aqui sugere é que a Igreja tem de tomar posição quando algum dos seus membros, de forma consciente e obstinada, recusa a proposta do Reino e realiza actos que estão frontalmente contra as propostas que Cristo veio trazer. Nesse caso, contudo, nem é a Igreja que exclui o prevaricador: ele é que, pelas suas opções, se coloca decididamente à margem da comunidade. A Igreja tem, no entanto, que constatar o facto e agir em consequência.
Depois desta instrução sobre a correcção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus (cf. Mt 18,18-20) que, originalmente, seriam independentes da temática precedente, mas que Mateus encaixou neste contexto.
O primeiro (vers. 18) refere-se ao poder, conferido à comunidade, de “ligar” e “desligar”. Entre os judeus, a expressão designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus; aqui, significa que a comunidade (algum tempo antes – cf. Mt 16,19 – Jesus dissera estas mesmas palavras a Pedro; mas aí Pedro representava a totalidade da comunidade dos discípulos) tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que não estão dispostos a seguir o caminho que Jesus propôs.
O segundo (vers. 19) sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração. Assegura aos discípulos, reunidos em oração, que o Pai os escutará.
O terceiro (vers. 20) garante aos discípulos a presença de Jesus “no meio” da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de correcção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.

 

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