Egoísmo (2.º Domingo da Quaresma)




A Liturgia da Palavra do Segundo Domingo da Quaresma (Ano A) começa com o exemplo de Abraão (primeira leitura), pai dos crentes: deixa a sua terra e vai para outra indicada por Deus. Depois, Jesus Cristo leva consigo Pedro, Tiago e João “a um alto monte” (Evangelho). E nós, até onde nos deixamos levar por Jesus Cristo? Acreditamos no seu amor por nós? Antes de mais, acreditemos que um dia seremos, como Jesus Cristo, transfigurados pela luz da graça que nos é oferecida (segunda leitura). Em Deus, coloquemos a nossa esperança (salmo), deixemo-nos abrasar pelo seu amor.

“Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha
complacência. Escutai-O”

Este é o meu Filho muito amado… O convite divino a escutar o “Filho muito amado” é revelado pela voz que se ouve a partir da nuvem, segundo a passagem evangélica da transfiguração. Este acontecimento está presente nos três ciclos litúrgicos de acordo com as diferentes versões sinóticas. Este ano acompanhamos o relato segundo Mateus.
… no qual pus toda a minha complacência… O monte na perspectiva bíblica simboliza o “lugar” da proximidade e/ou do encontro com Deus. Naquele dia e naquele “alto monte”, a luz da vida e da imortalidade reflectiram-se no rosto de Jesus Cristo diante de Pedro, Tiago e João. É certo que, apesar dessa experiência, os apóstolos também continuaram a viver dias sombrios e monótonos, tal como
nos acontece a todos no quotidiano. No nosso caso, hoje, urge deixar-se levar por Jesus Cristo ao “alto monte” da eucaristia dominical, para que os nossos desejos e as nossas forças sejam transfigurados gradualmente pelo contacto habitual com o mistério pascal de Jesus Cristo. Na celebração da eucaristia abre-se a possibilidade de contemplar e louvar toda a “complacência” que o Pai coloca no seu Filho e em todos os seus filhos e filhas. Isto há de permitir a conversão do nosso olhar, reflexo do nosso interior, que nos tornará capazes de anunciar a luz e a paz que nos são oferecidas por Deus.
… Escutai-O. Escutar a voz do “Filho muito amado”, Jesus Cristo, é o alimento espiritual necessário para participar na mesa eucarística. Antes desta, é preciso sentar-se à mesa da palavra com disposição atenta e serena para escutar o que Deus tem para nos dizer em cada Domingo (em cada dia). A oração colecta pede a força do “alimento interior” que é a palavra de Deus como caminho de purificação do “nosso olhar espiritual”, tendo em vista a alegria de um dia participarmos na “visão” da glória divina, ou seja, a nossa própria transfiguração.



Egoísmo

“A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte” — assim começa a mensagem quaresmal do papa Francisco. E recorda que a raiz do nosso egoísmo “é não dar ouvidos à Palavra de Deus. (…) Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”. Um dos pontos da penitência quaresmal é renunciar ao egoísmo que tantas vezes (sempre!) domina a nossa vida.


Reflexão preparada por Laboratório da Fé




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